O Caminho do guerreiro: 19 lições dos samurais

Aprenda 19 lições dos samurais para alavancar sua carreira

O mestre Jorge Kishikawa aplica os ensinamentos da espada samurai em empresas de grande porte Foto: Divulgação

O mestre Jorge Kishikawa aplica os ensinamentos da espada samurai em empresas de grande porte


Como você age no trabalho, como um guerreiro ou uma flor? Como você lida com os contratempos? Você assume seus erros ou coloca a culpa nos outros? E como você utiliza seu tempo? Essas e várias outras reflexões fazem parte da estratégia de pensamento de um samurai em meio à batalha profissional. Sim, é possível comparar o dia-a-dia do trabalho com uma guerra; as decisões com estratégias de uma luta; e os anos de estudo e o tempo com aprimoramento com os anos de treino no manejo da espada de um samurai.
Esses homens formavam a elite guerreira de senhores feudais no Japão há mais de 10 séculos e sua função foi oficialmente extinta em 1876. Eram extremamente hábeis no manejo da espada e seguidores de um rígido código de ética que colocava a disciplina, a obediência e a coragem como valores maiores do que a própria vida. Hoje seus ensinamentos são mantidos vivos e usados em diversas áreas, da prática esportiva à administração de empresas.
“É consenso geral que o mundo moderno carece de valores. Mais que isso, o mundo carece de mestres. Precisamos de valores, pensamentos e filosofia de vida que nos orientem para sermos cada dia melhores e mais vencedores, e, principalmente, mais felizes”, afirma o mestre Sensei Jorge Kishikawa, fundador do Instituto Cultural Niten, em 1993.
Principal introdutor das artes samurais no Brasil, chamadas Kobudo, Kishikawa ministra palestras sobre o Kir empresarial, método desenvolvido por ele e que aplica os princípios da espada samurai em empresas de grande porte. Nenhum desses ensinamentos, porém, passa a mão na cabeça ou apoia pessoas que falharam na função. Afinal, não são atitudes que condizem com um samurai.
Em algumas cidades brasileiras comemora-se nesta sexta, dia 24, o Dia do Samurai. Além de São Paulo, é celebrado em Ribeirão Preto, Piracicaba, ambas do interior de São Paulo, Brasília e em todo o Estado do Paraná. A data coincide com o aniversário de Kishikawa, que completa 46 anos e é autor do livro

Shinhagakure – Pensamentos de um Samurai Moderno

, publicado pela Conrad Livros. Confira 19 ensinamentos do mestre tirados do Bushido, código de ética dos samurais.

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1 – Espírito

Infortúnios poderão ocorrer durante nossa jornada. O que quero dizer com “espírito” é a disposição do coração, do sentimento, do “fazer” em relação a nossa jornada. Muitas coisas podem acontecer, mas nenhuma delas poderá abalar seu ishin, seu único espírito.
2 – Não fale, ouça

Quando ensino, não costumo dar voltas. Acho perda de tempo. Se você está aí, na minha frente, é para aprender. Existem alunos que, ao serem corrigidos ou alertados quanto à determinada técnica, começam a falar. Respondem, explicam, concordam (alguns até discordam), comentam, enfim, falam, falam, falam. O que me irrita muito. O aprendizado do Bushido é simples: ouvir, refletir! Não me façam perder tempo, vamos à execução!

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3 – Lição número 1 da arte da guerra

Afastar os indecisos, inseguros ou confusos antes de iniciar os planos. Não perder tempo elaborando planos mirabolantes ao lado de possíveis desertores, traidores ou loucos que poderão desviar os planos.
4 – Discernir o que é importante do que não é

Já disse aos meus alunos que não respondo a perguntas tolas e que não tenham utilidade nos dias de hoje. Há muitas coisas mais importantes a estudar. Por exemplo, como não perder o seu emprego.
5 – Manter o espírito de combate

Alguns pensam: “Quando já alcançamos nossos objetivos, não precisamos mais do espírito de combate”. Entretanto, apesar de já possuirmos o que queríamos, também é fundamental manter o que foi conquistado. É quando sobrevém a preguiça, a tentação e a fraqueza.
6 – Uso do tempo

Durante a manhã, concentre-se em decidir a estratégia a se adotar. Durante a outra metade do dia, concentrar-se em executar.
7 – O que importa é que você falhou e não o quanto você se empenhou

Em uma batalha, todos se esforçam em busca das vitórias. Ao cometer falhas, exigir que o superior compreenda e tenha sentimentos é incoerente para o samurai. No meio da zona de combate, aquele que clama por atenção ou reconhecimento torna-se um empecilho ao bom andamento do grupo. Esses indivíduos em geral choram ou abandonam seus postos, atrasando todo o andamento da guerra. Deve-se assumir prontamente o erro e responsabilizar-se pelas perdas e danos, independentemente do tamanho do seu esforço.

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8 – Guerreiro ou Flor

Coitadinhos ou coitadinhas não devem ir a campo de batalha. Só atrapalham. Alguém gostaria de ter um samurai chorando no meio da batalha? Tendo crise de nervos? Com depressão? Ou precisando de um cafuné? Sendo tão inofensivo que não suporte um comando enérgico ou uma advertência verbal? Este não é um guerreiro. É uma flor. Deve estar num vaso e servir de ornamento para ninguém tocar. Não resiste a mais leve brisa da manhã.
9 – Limpe e te direi quem és

Existem em nossa casa samurais que vêm de todas as regiões do Brasil a fim de realizar o shugyo, treinamento intensivo que visa à iluminação na técnica e no espírito. Em outras palavras, recuperar o potencial humano. A limpeza é a primeira tarefa que executam. Cozinha, banheiro, quintal. Independentemente de ser estudante ou doutor, pobre ou rico, presidente ou porteiro, todos fazem a limpeza. Com a limpeza, pode-se conhecer o caráter daquele que chega a nossa casa. A limpeza manifesta nossa vontade, nossa atenção e nossa paciência.
10 – Limpar o jardim

Já disse que a primeira tarefa que o aluno deve fazer é a limpeza. Para aprenderem que os afazeres de pouca importância devem ser levados a sério. Para que não comecem a crescer ervas daninhas no jardim do espírito. É nesse momento, quando existe uma brecha aberta ao inimigo, que o castelo cai em ruína.
11 – Melhorar no que faz dá mais lucro que retaliar concorrentes

Você dirá que o concorrente vive tentando lhe passar a perna e criticando o seu trabalho. Enquanto ele critica, gaste seu tempo aperfeiçoando-se. Deixe-o perder tempo e busque você a perfeição. Quando chegar a um estágio elevado de perfeição, poderá aniquilá-lo com o golpe perfeito. Talvez ele nem seja páreo para se chamar concorrente.
12 – Não descanse. Não adianta nada

As pessoas sempre adiam seus projetos por falta de tempo. Estão sempre dizendo: “Quando entrar em férias, farei isso, farei aquilo”. Chegam as férias, mas nada acontece. Na verdade, conseguimos realizar mais feitos quando estamos em guerra. Digo aos meus alunos. “Hora de lutar, lutar. Hora de descansar, descansar”. Se você personifica a imagem do samurai moderno, não descanse em guerra.
13 – Não existem limites quando se olha para cima ou para baixo

Minha bisavó me deixou alguns pensamentos e, entre outros, o que mais me ajudou a ser feliz é o seguinte: “Não existem limites quando se olha para cima ou para baixo”. Trocando em miúdos, esse ensinamento quer dizer que na vida não adianta ambicionar ser o mais rico ou o melhor. Sempre haverá pessoas mais ricas e mais poderosas que você. Não ambicione demais, o céu não tem limites. Por outro lado, não fique lamentando que sua vida é a pior entre a de todos os seres. Sempre existirão pessoas mais pobres e infelizes que você. Por isso, não se dê o direito de chorar achando que é um coitado. Apenas lute incessantemente. De corpo e alma.
14 – O chefe não move um dedo para escanear

A frase acima foi dita por uma das alunas quando ela discutia a postura de seus antigos chefes. Há bons líderes e maus líderes. Obviamente, existem várias formas de conduzir um grupo ou uma organização. Em um sistema em que prevalece o Bushido, as funções de cada um são bem claras. Quando não são, o sentimento de servir ao seu senhor deve prevalecer, para contornar qualquer problema. Desde que haja um samurai na empresa, sempre haverá alguém que estará 24 horas lutando por ela. O samurai líder não deve estar entretido com detalhes e ações específicas. O samurai líder deve se dedicar integralmente à criação, elaboração, planejamento e acompanhamento da estratégia. A execução sim, deve ser feita por seus subalternos. O chefe move ideias para lhe manter no emprego.
15 – Comprometimento

Existem quatro coisas que não voltam atrás: – A pedra depois de solta

– A oportunidade depois de perdida

– O tempo depois de passado

– A palavra depois de proferida

O guerreiro não tem duas palavras. Se prometer, o samurai deverá cumprir o que disse a todo o custo. No início, a pessoa tem empolgação e fala muita coisa. No meio, fica cansada ou a situação se complica. No fim, volta atrás e pede desculpas. Os mais sem vergonha nem pedem desculpas. Acusam os outros e acham que está tudo resolvido.
16 – Não esquecer o espírito do iniciante

Principalmente nos momentos de cansaço ou na hora de levar bronca, as pessoas se esquecem do primeiro dia de combate. O foco e os objetivos são lançados ralo abaixo e o guerreiro desiste. Quando são repreendidos, frequentemente largam a bandeira da luta, abandonam derrotados seu posto e seu grupo, dizendo-se injustiçados, quando na realidade os sentimentos de egoísmo, desejo de ser reconhecido, ódio ou medo são os verdadeiros motivos. Justa ou injustamente repreendidos, aí é que entra o autocontrole para enxergar com sabedoria as consequências de desertar na guerra. Lembre-se dos motivos que o levaram ao combate. Intempéries e adversidades de todos os tipos surgem no decorrer de uma longa batalha. Nesse momento, o samurai deve ter a convicção do porquê estar ali.
17 – O vento sopra mais forte no alto da montanha

Quando se está na base, ninguém o vê. Quando se está no alto, todos o vêem. E o vento sopra mais forte. Para manter-se intacto, o samurai deve continuar sua prece diária ¿ o seu treinamento. Somente assim o samurai conseguirá vencer o maior dos furacões.
18 – Seguir os dois caminhos

Em geral, o que acontece é as pessoas somente buscarem o Bun (a pena), sem exercitarem o Bu (prática guerreira). São os letrados e tecnocratas. Ou exercitam o Bu sem o devido estudo e busca do autoconhecimento. São os bárbaros e animais. O samurai deve praticar o Ni Do (os dois caminhos). Não adianta somente buscar leituras e não executar o outro lado, a prática guerreira. Também não adianta somente lutar e não estudar absolutamente nada. Nem letrado, nem bárbaro.
19 – Não carregue um fardo

Chegar ao local na hora do combate é um dos passos para sair derrotado. Se o expediente e às 9h, deve-se chegar às 8h45. É assim que deve agir o samurai moderno. Aquele que chega às 9h vai começar a luta às 9h15. E se sair às 17h, já baixou a guarda às 16h45. Este não está com a atenção voltada para vencer a guerra. Não é um samurai. Está carregando um fardo.

MAIS SOBRE SAMURAI:

Bushido: O caminho do guerreiro

O caminho do guerreiro

Passagem do filme “O Ultimo Samurai”

https://www.youtube.com/watch?v=sVCAE6LsS_U

A armadura:

Samurai_Do_maru_armor_pieces_by_Onikaizer1

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